É bastante difícil vermos hoje em dia placares elásticos e grandes goleadas em partidas da Copa do Mundo. Muitas seleções priorizam uma boa defesa e a busca pelo ataque perfeito para matar um jogo e passar de fase.

Miroslav Klose marca um dos três gols que fez na goleada de 8 a 0 da Alemanha na Arábia Saudita em 2002 (IC Photo)

Parafraseando Vanderlei Luxemburgo: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”.

Afinal de contas, a Copa é diferente pelo seu formato atual com muito Mata-mata na fase decisiva e um erro pode acabar com o sonho de milhões de pessoas.

Porém, vez ou outra a Copa do Mundo nos brinda com grandes goleadas e são algumas das mais memoráveis que iremos lembrar por aqui. Se você acha que 7 a 1 foi pouco, teve piores (ou melhores, depende de qual é sua torcida).

Hungria 10 x 1 El Salvador (1982)

A maior goleada da história das Copas do Mundo é desta partida de 1982. Relembrando os tempos de ouro da seleção húngara em 1954, transformaram a vida do pobre goleiro “Guevara” Mora em um pesadelo, especialmente no segundo tempo, quando SETE gols foram marcados. Um fato curioso sobre esta partida, é que foi a primeira vez em que um jogador vindo do banco de reservas fez um hat-trick. O feito foi de László Kiss.

Foto: Reprodução / Panini

Apesar do recorde histórico, a Hungria sofreria também a sua goleada nesta Copa, ao ser derrotada por 4 a 1 pela Argentina de Maradona.

Se levar em conta também as partidas da Copa do Mundo Feminina, a maior goleada de todas as Copas foi dos Estados Unidos 13 a 0 na Tailândia, com cinco gols de Alex Morgan, em 2019.

Áustria 7 x 5 Suíça (1954)

Os dois países vizinhos de fronteira fizeram o jogo com o maior número de gols em uma única partida de Copa do Mundo até hoje. Além de deixar torcedores roucos, foi uma partida que poderiam chamar de “teste pra cardíaco”.

A partida valia uma vaguinha na semi e a dona da casa, a Suíça, tinha uma equipe famosa por ser muito defensiva, mas saiu na frente e com folga. Chegaram a abrir 3 a 0 dos 16 aos 19 minutos de jogo. Parecia que seria um massacre e que dificilmente a Áustria daria conta de furar o bloqueio.

Mas da mesma forma que foi impressionante o começo suíço, foi ainda mais incrível a virada austríaca. Porque também em 10 minutos eles marcaram CINCO gols e assumiram a liderança da partida. A Suíça ainda faria mais um antes do intervalo, dando um espetáculo de nove gols apenas no primeiro tempo.

O segundo tempo em campo foi mais morno, apesar do termômetro marcar 36 graus. Por conta disso, os jogadores diminuíram um pouco o ritmo do jogo. Ainda assim, mais 3 gols foram marcados: dois para Áustria e um suíço.

Dois fatos curiosos desta partida envolvem o goleiro austríaco Schmied.

Com o forte calor, ele chegou a desmaiar em campo e no final do jogo ainda perguntou para um colega de equipe qual era o placar, pois tinha perdido a conta.

As duas goleadas da semi-final de 1930 pelo mesmo placar: 6 a 1

Os confrontos foram definidos por sorteio e por sorte não colocaram os favoritos Argentina e Uruguai fazendo uma espécie de final antecipada.

Ficou decidido então que os confrontos seriam Argentina x EUA e Uruguai x Iugoslávia. O curioso é que o placar das duas semis foram verdadeiros atropelos dos nossos vizinhos em seus rivais. Os argentinos passearam nos norte-americanos, enquanto a Celeste teve uma ligeira dificuldade, saindo atrás do placar. Depois da virada, uma sonora goleada.

 

Cea marca o primeiro gol do Uruguai contra a Iugoslvia na Copa de 1930 (Foto: Los Sports)

Brasil 7 x 1 Suécia (1950)

Os mais jovens vão sempre falar em 7 a 1 e lembrar daquele fatídico dia… É o que está mais fresco na memória, é verdade. Mas na Copa de 1950, acredite, o desastre foi ainda maior. A seleção brasileira tinha tudo para levar o título. Montou a festa, construiu um templo do futebol, jogava bem e contava com a sorte, uma vez que a Itália (atual campeã) ficou na primeira fase.

No quadrangular final o Brasil começou avassalador e sapecou sete a um pra cima da Suécia, que havia derrotado a Itália na primeira fase.

Neste jogo, Ademir de Menezes entrou pra história da seleção brasileira ao se tornar o primeiro (e até o momento único) a marcar quatro gols pelo Brasil em um jogo de Copa.

A Seleção Brasileira ainda mandaria 6 a 1 na Espanha no penúltimo jogo antes da partida decisiva contra o Uruguai e isso faz doer ainda mais o maracanazo.

Hungria 8 x 3 Alemanha Ocidental (1954)

Esse resultado foi fruto de planejamentos bem sucedidos.

O primeiro da seleção da Hungria, sensação da Copa de 1954 que fazia aquecimento antes de entrar em campo, prática desconhecida pelas outras seleções até então. Por isso sempre marcava gols muito cedo nas partidas. E nesta não foi diferente. Com 21 minutos de jogo já estava 3 a 0 para os magiares.

O segundo foi da seleção alemã, que prevendo a iminente derrota para a Hungria e a necessidade de fazer um jogo extra de desempate em seu grupo, colocou vários reservas para poupar seus titulares, já que não havia substituição na época.

Além disso, há quem jure que os reservas entraram em campo para fazer o jogo sujo e machucar o craque Puskas, que de fato saiu machucado e só voltaria (ainda meia boca) na grande final que os alemães venceriam, no jogo que ficou conhecido como o “milagre de Berna”, mas falamos disso outro dia…

Argentina 6 x 0 Peru (1978)

Com um regulamento diferente, a fase semifinal da Copa de 1978 foi decidida em dois grupos de quatro times, o melhor classificado de cada um iria para a final. Brasil e Argentina estavam no mesmo grupo junto de Peru e Polônia.

Brasil e Argentina empataram em 0 a 0 no confronto direto e a decisão para saber quem avançaria ficou para a última partida entre os donos da casa e a seleção peruana. Para a Argentina passar seria necessário quatro ou mais gols para que o saldo fosse maior que o da seleção brasileira. O primeiro tempo virou 2 a 0 e os argentinos marcariam mais quatro vezes depois do intervalo.

O que gerou muitas dúvidas e teorias da conspiração, já que o Peru vinha fazendo uma boa Copa na primeira fase. Ganhou por 3 a 1 da Escócia, empatou em 0 a 0 com a Holanda (que seria vice campeã) e goleou o Irã por 4 a 1. Muita gente entende que perder para a Argentina fora de casa seria normal, mas 6 a 0 foi um pouco exagerado. Especialmente da forma como os jogadores peruanos aparentavam levar a partida. O ídolo peruano Carlos Oblitas nega e outros ex-companheiros negam que tenha havido algum fator extra-campo, já José Velásquez afirmou que seis companheiros e o treinador do time entregaram o jogo, entre eles o goleiro Quiroga, nascido em Rosário e naturalizado peruano. Quiroga diz que ele não recebeu nenhum dinheiro, mas suspeita de outros ex-colegas de equipe.

Para o Brasil restou apenas a frustração e o título de “Campeão Moral” do torneio, segundo o técnico Cláudio Coutinho, uma vez que a seleção saiu invicta do torneio e tinha grandes chances de ir mais longe (e quem sabe vencer a competição).

Alemanha 8 x 0 Arábia Saudita (2002)

Goleada da seleção alemã na Copa do Mundo não é exclusividade da Copa de 2014.

Em sua estreia no Japão, os alemães foram comandados por uma brilhante atuação de Miroslav Klose. Sim, ele mesmo. O maior artilheiro da história das Copas marcava seus três primeiros gols justamente nessa partida e apavorou a noite do fanfarrão goleiro Al-Deayea.

O curioso é que dos oito gols marcados nesta partida, cinco foram feitos de cabeça e três deles de Klose. Relembre:

Rússia 5 x 0 Arábia Saudita (2018)

Pobre da Arábia Saudita. Entrou para história mais uma vez de um jeito bem ruim, desta vez por ser parte do jogo de abertura com a maior goleada da história das Copas, mas infelizmente sendo a equipe que sofreu a goleada.

Essa foi bem recente, na Copa da Rússia. Os donos da casa chegaram chegando e pra deixar o feito ainda mais bonito, com dois golaços de Cheryshev, que veio do banco, substituindo o machucado craque Dzagoev.

Assista aos melhores momentos desta partida aqui.

Denis Cheryshev marca um de seus gols na partida. via Twitter/TeamRussia

Brasil 1 x 7 Alemanha (2014)

Um capítulo a parte da história da seleção brasileira, da Copa do Mundo em si e um marco na vida de todo mundo que presenciou a seleção dona da casa ser eliminada em uma semifinal com uma traulitada dessas.

Teorias da conspiração, apagões, ausência de Neymar, pressão psicológica, falta de sorte… tudo já foi falado a respeito e é difícil entender exatamente o que aconteceu.

O mais próximo de um consenso é ter de um lado uma seleção da Alemanha que foi preparada para ser campeã oito anos antes, desde o seu terceiro lugar em casa na Copa de 2006. De outro um time que empolgado com a conquista da Copa das Confederações em cima da Espanha no ano anterior, achou que o peso da camisa e a torcida levariam longe, mas que mostrou muita fragilidade ao longo da Copa inteira e chegou a este jogo claramente sem preparo e com escolhas equivocadas de Felipão e Parreira.

Fica a lembrança da narração de Galvão Bueno e os bordões que surgiram depois, as piadas e muita reflexão sobre o futuro do futebol brasileiro.

Outras grandes goleadas em destaque:

Só podemos agradecer aos arquivos, pessoas que preservaram as fitas e a maravilha da internet pelo compartilhamento da memória de jogos de todas as épocas para você rever no conforto do seu lar.

Hungria 9 x 0 Coréia do Sul (1954)

Itália 7 x 1 Estados Unidos (1934)

Iugoslávia 9 x 0 Zaire (1974)

Turquia 7 x 0 Coreia do Sul (1954)

Dinamarca 6 x 1 Uruguai (1986)

União Soviética 6 x 0 Hungria (1986)

Portugal 7 x 0 Coreia do Norte (2010)

Cristiano contou com a sorte (e habilidade) pra marcar um dos gols contra Coréia do Norte em 2010 (Foto: CNN)

Uruguai 8 x 0 Bolívia (1950)

Suécia 8 x 0 Cuba (1938)

Polônia 7 x 0 Haiti (1974)

Tchecoslovaquia 6 x 1 Argentina (1958)


Fontes:

O Mundo das Copas, Lycio Vellozo Ribas

Recordes do Futebol Mundial 2014

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