
No mundo do futebol, a superstição joga junto com a tática. Todo torcedor tem seu amuleto, sua camisa da sorte ou aquele assento específico no sofá. Mas na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o planeta descobriu o maior “amuleto reverso” da história do esporte: Sir Mick Jagger. O lendário vocalista dos Rolling Stones provou que seu faro para sucessos na música é proporcional à sua capacidade de zicar seleções.
A fama não surgiu por acaso e foi construída com uma precisão matemática invejável de erros. Tudo começou quando o astro decidiu acompanhar os jogos no estádio ao lado de seu filho Lucas Jagger. A partir dali, cada declaração de apoio ou simples presença VIP do cantor em um camarote virou sinônimo de eliminação imediata para o país escolhido.
A Trilha de Destruição na África do Sul
O primeiro sinal de alerta acendeu nas oitavas de final de 2010. Jagger foi ao estádio torcer pelos Estados Unidos contra Gana, acompanhado do ex-presidente Bill Clinton. Resultado? EUA eliminados. No dia seguinte, o roqueiro vestiu a camisa de seu país natal, a Inglaterra, no clássico contra a Alemanha. Os alemães aplicaram uma goleada histórica de 4 a 1.
Tentando espantar a zica, o astro mudou de foco e declarou torcida para o Brasil nas quartas de final contra a Holanda, já que seu filho tem nacionalidade brasileira. A Seleção de Dunga acabou eliminada de virada por 2 a 1. Sem desistir, Jagger declarou que gostaria de ver a Argentina campeã. Na partida seguinte, os hermanos foram atropelados pela Alemanha por 4 a 0.
Quatro palpites ou torcidas declaradas, quatro eliminações precoces e dolorosas. A sequência surreal de coincidências rapidamente ganhou as redes sociais e os programas de TV ao redor do mundo. O termo “pé-frio” ganhou uma escala global, e a internet decretou que a presença do cantor era a maior ameaça ao título de qualquer nação.
A Consagração do Mito em 2014 e a Defesa da Família
Longe de se intimidar com a fama, Mick Jagger desembarcou no Brasil para acompanhar a Copa de 2014. Sabendo do perigo, a torcida brasileira tentou usar o poder do astro de forma estratégica. Cartazes de papelão em tamanho real do cantor vestindo a camisa de seleções adversárias viraram febre nos estádios para tentar “zicar” os rivais.
A tática, porém, falhou de forma apocalíptica na semifinal. Jagger foi assistir ao jogo entre Brasil e Alemanha no Mineirão. O desfecho daquela noite dispensa apresentações: o fatídico 7 a 1. A presença do astro no estádio sacramentou de vez o mito folclórico, transformando a piada interna em uma mística quase científica dos Mundiais.
Diante do tamanho da repercussão, a apresentadora Luciana Gimenez, mãe de Lucas, veio a público defender o cantor das piadas massivas, classificando o rótulo de “bullying cibernético”. O próprio Mick Jagger, esbanjando o clássico humor britânico, ironizou a situação em entrevistas posteriores, afirmando que conseguia assumir a culpa pelos gols perdidos, mas não pelos erros defensivos em campo.
Fonte: GE / UOL Esporte / ESPN Brasil / Lance! / Rolling Stone Brasil / Terra Esportes



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