
Imaginem a cena: o jogo está empatado, o relógio marca os acréscimos finais e seu time tem a chance de ouro em um escanteio. A bola viaja pela área, o craque sobe absoluto e cabeceia firme para as redes. É o gol da vitória! Mas, em vez de apontar para o centro do campo, o árbitro encerra a partida com a bola ainda voando. Pareceu um absurdo completo? Pois saiba que isso realmente aconteceu com o Brasil na Copa do Mundo de 1978.
O palco dessa bizarrice histórica foi o Estádio José María Minella, na cidade de Mar del Plata, na Argentina. A Seleção Brasileira estreava contra a Suécia na fase de grupos e o placar apontava um tenso 1 a 1. O relógio já passava dos 45 minutos do segundo tempo quando o lateral Nelinho se posicionou para cobrar o escanteio que poderia mudar o rumo daquele Mundial.
O Cabeceio de Zico e o Sopro do Árbitro
Com precisão, Nelinho mandou a bola em direção à grande área sueca. O Galinho de Quintino, nosso eterno Zico, subiu com estilo e testou firme, sem chances de defesa para o goleiro Hellström. Enquanto a bola ainda iniciava sua trajetória aérea em direção ao gol, um som estridente cortou o estádio: o apito final do árbitro galês Clive Thomas.
O gol legítimo balançou a rede, mas não subiu para o placar oficial. A justificativa de Thomas foi cirúrgica e rigorosa até demais para os padrões do futebol: ele afirmou ter encerrado o confronto exatamente no milissegundo em que a bola viajava pelo ar. A decisão bizarra gerou uma revolta generalizada e imediata entre os jogadores brasileiros, que cercaram o juiz ainda no gramado.
A Reação de Bastidores e a Punição da FIFA
A indignação da comissão técnica e dos dirigentes nacionais não ficou restrita às quatro linhas. Nos bastidores do torneio, a delegação brasileira agiu rápido e protocolou duas representações formais contra a conduta do árbitro. Os protestos formais foram direcionados especificamente à Comissão de Arbitragem e ao Comitê Disciplinar da FIFA.
A pressão surtiu efeito imediato nos corredores da entidade máxima do futebol. A FIFA considerou a atitude do árbitro galês injustificável e prejudicial para a imagem técnica do esporte e do próprio torneio. Como punição exemplar pelo erro crasso de gerenciamento de tempo, Clive Thomas foi sumariamente afastado daquela Copa do Mundo e mandado de volta para casa mais cedo.
Aquele apito controverso selou o destino internacional do árbitro britânico, que nunca mais voltou a apitar uma partida sequer em Copas do Mundo. Para o Brasil, restou o gosto amargo de um empate injusto na estreia da competição, mas também o registro histórico de um dos lances mais inacreditáveis, debatidos e pitorescos de todas as edições dos Mundiais.
Fonte: GE / UOL Esporte / ESPN Brasil / Trivela / Terceiro Tempo / Estadão



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