
Se você puxar pela memória a semifinal da Copa de 2002 entre Brasil e Turquia, o gol de bico de Ronaldo certamente virá à mente em primeiro lugar. Mas há outra imagem daquele 1 a 0 que se tornou um verdadeiro monumento cultural dos Mundiais: o momento em que Denílson arrastou um “batalhão” de camisas vermelhas em direção à lateral.
Faltando poucos minutos para o apito final, o técnico Felipão colocou o ponta-esquerda em campo com uma missão clara e clássica do futebol: reter a posse de bola, ganhar tempo e irritar a marcação adversária. O camisa 17 levou a instrução tão a sério que acabou protagonizando uma das cenas mais plásticas e comentadas da história recente das Copas.
A Perseguição em Fila Indiana
Ao receber a bola na ponta, Denílson partiu para o drible característico. Anos mais tarde, ele confessou que sua ideia inicial era tocar para Luizão, que estava livre na área. Como acabou perdendo o tempo exato do passe, o jeito foi prender a bola perto da linha de fundo. Foi aí que quatro jogadores turcos — Muzzy Izzet, Tugay Kerimoğlu, Bülent Korkmaz e Alpay Özalan — saíram em sua caça.
A imagem dos defensores correndo em fila indiana atrás do brasileiro parecia saída diretamente de um desenho animado. No calor do momento, focado apenas em proteger a bola e sofrer a falta para gastar o cronômetro, Denílson nem percebeu a dimensão do que estava acontecendo. Ele só se deu conta da grandiosidade do lance ao retornar para o hotel.
“Você Fez a Jogada da Copa, Garoto”
Ao cruzar com o narrador Galvão Bueno nos bastidores da concentração, ouviu dele uma frase que selaria o destino daquele momento: “Você fez a jogada da Copa, garoto”. E a previsão se cumpriu perfeitamente. A cena virou vinheta oficial de transmissões esportivas no mundo inteiro e até hoje é lembrada como o símbolo máximo da irreverência e da malandragem saudável do nosso futebol.
Como uma grande ironia do destino, o ex-jogador revelou recentemente que guarda uma lembrança física muito valiosa daquele dia em sua casa. Trata-se da camisa número 8 de Tugay Kerimoğlu. O manto foi trocado após o jogo com justamente um dos integrantes daquele batalhão que tentou, sem nenhum sucesso, parar o “Denílson Show” na marra.
Fonte: UOL Esporte / R7 Esportes / Lance! / Canal GB / Podcast Denilson Show



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