A Copa do Mundo de 2018, na Rússia, marcou um divisor de águas na história do futebol ao introduzir uma tecnologia que, desde então, tem sido objeto de intensos debates e discussões: o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). Sua estreia em um Mundial não apenas representou uma mudança significativa nas regras do jogo, mas também se deu em um momento crucial, durante a partida entre França e Austrália.

O Surgimento do VAR no Futebol Mundial

O VAR surgiu como uma resposta à crescente pressão por mais precisão nas decisões de arbitragem, especialmente em lances capitais que poderiam mudar o rumo de jogos importantes. A tecnologia começou a ser testada em ligas menores e em alguns torneios, como o Mundial de Clubes da FIFA em 2016 e 2017. A ideia era reduzir erros claros e óbvios em quatro situações específicas: gols (e infrações que o precedem), pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identidade (quando o árbitro adverte ou expulsa o jogador errado).

A Aprovação da FIFA para a Copa do Mundo

Após anos de testes e aprimoramentos, a FIFA, sob a liderança do presidente Gianni Infantino, deu o aval final para o uso do VAR na Copa do Mundo de 2018. A decisão foi anunciada oficialmente pelo International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol, em março de 2018. A medida foi vista como um passo ousado e inovador, visando garantir uma maior justiça nas partidas do torneio mais importante do futebol. A expectativa era alta, e a ansiedade sobre como a tecnologia se adaptaria ao ritmo e à pressão de um Mundial era palpável.

O Jogo: França x Austrália (16 de junho de 2018)

O palco da estreia do VAR foi a Kazan Arena, no dia 16 de junho de 2018, na partida de abertura do Grupo C entre França e Austrália. A França, uma das favoritas ao título e que viria a ser campeã, enfrentava uma Austrália aguerrida e bem organizada defensivamente. O jogo, que muitos esperavam ser uma vitória fácil para os franceses, revelou-se um desafio.

A Participação Histórica do VAR no Jogo

Aos 55 minutos do segundo tempo, o momento histórico aconteceu. O atacante francês Antoine Griezmann avançou para dentro da área e caiu após um contato com o zagueiro australiano Josh Risdon. O árbitro uruguaio Andrés Cunha, inicialmente, não marcou nada. No entanto, após ser alertado pela equipe do VAR (liderada pelo árbitro de vídeo brasileiro Sandro Meira Ricci) sobre uma possível infração, Cunha foi revisar o lance no monitor à beira do campo (pitchside review).

Após a revisão, ele reverteu sua decisão original e assinalou pênalti para a França. Griezmann converteu a cobrança, marcando o primeiro gol da partida e, mais importante, o primeiro gol na história da Copa do Mundo concedido após uma revisão do VAR.

Minutos depois, a Austrália empataria com um pênalti de Mile Jedinak. No entanto, a França conseguiu a vitória por 2 a 1, com um gol de Paul Pogba. A partida não foi apenas a estreia do VAR em uma Copa do Mundo, mas também um exemplo de como a tecnologia poderia influenciar diretamente o resultado de um jogo. O incidente gerou debates imediatos sobre a fluidez do jogo, a interpretação das regras e a interferência tecnológica, temas que continuam a ser discutidos no futebol global. Para os australianos, mesmo as imagens do VAR não foram conclusivas e o pênalti não deveria ter sido marcado, por exemplo.

Apesar das controvérsias, o uso do VAR na Copa do Mundo de 2018 foi um marco, abrindo caminho para sua adoção generalizada em diversas ligas e competições ao redor do mundo.

Fonte: ESPN / CNN / L’Équipé


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