O time egípcio básico foi o mesmo que havia disputado também os jogos olímpicos em 1920. No entanto, na Copa não teve vida muito longa, perdeu seu único jogo por 4 a 2 contra a Hungria. Ainda assim fez uma boa apresentação. Saiu perdendo por 2 a 0 e chegou ao empate com dois gols de Rahman Fawzi, mas não conseguiu evitar a eliminação.
Depois do Egito, o próximo time a chegar à fase final do Mundial seria o Marrocos em 1970. Entre os anos de 1958 e 1966 o representante africano passava por repescagem contra outros países.
Zaire 1974: entrou pra história mesmo sem marcar um gol
A atual República do Congo tinha outro nome nos anos 1970 e conseguiu uma heroica classificação para o Mundial de 74, na Alemanha. Ao chegar lá, conviveu com incertezas, dúvidas e momentos bizarros. A equipe até estreou bem contra a Escócia e perdeu “apenas” de 2 a 0, apesar de ter tido um desempenho razoável. Contra a Iugoslávia a coisa desandou e a equipe africana se tornou protagonista de uma das maiores derrotas da história das Copas: 9 a 0.
Também enfrentaria o Brasil. Nesse jogo, um lance marcou a história da seleção do Zaire e virou piada durante muitos anos, mas era um caso triste. Aos 40 do segundo tempo, num ato desesperado, o jogador Mwepu Llunga aparece saindo correndo da barreira antes da cobrança da falta e dando uma bica sem sentido na bola. Havia um rumor de que o ditador Joseph Mobutu — um grande entusiasta de esportes — ameaçou os atletas em caso de nova goleada vergonhosa. Naquela altura, o Brasil vencia por 3 a 0.
Marrocos 1986: a primeira a passar de fase
Em 1986, o Marrocos conseguiu ser a primeira seleção africana a passar para uma segunda fase em uma Copa e com méritos. Os marroquinos caíram em um grupo com três europeus: Polônia, Inglaterra e Portugal. Empatou sem gols nos dois primeiros jogos e depois surpreendeu Portugal com uma vitória por 3 a 1, carimbando a classificação em primeiro lugar do grupo. Nas oitavas de final vendeu caro a eliminação para a poderosa Alemanha (que seria vice da competição e ganharia quatro anos depois) que só conseguiu ganhar com um gol de Matthäus no final do jogo. Em 1998 quase repetiram o feito de passar para as oitavas, não fosse a surpreendente derrota do Brasil para a Noruega.
Nigéria: a que mais vezes passou de fase
Os “Águias Verdes” da seleção da Nigéria são os que mais passaram para a segunda fase da Copa,foram três vezes: 1994, 98 e 2014.
Em 1994, era a primeira vez em que chegavam a uma Copa e se classificaram em primeiro num grupo que tinha Bulgária, Argentina e Grécia. Deram azar de pegar “apenas” a Itália nas oitavas.
Em 1998 com o time base que venceu a medalha de ouro nas Olimpíadas em 96 encararam um grupo que tinha novamente a Bulgária, o Paraguai e a “fúria” espanhola. A grande vitória do grupo foi contra os espanhóis, 3 a 2 e a eliminação precoce da Espanha. Mais uma vez pegaram um adversário forte nas oitavas, dessa vez a Dinamarca e foram eliminados com um sonoro 4 a 1.
Já em 2014, aqui no Brasil, passaram aos trancos e barrancos num grupo com Argentina, Irã e Bósnia. Nas oitavas sucumbiram diante da França.
Gana 2010: a que ficou no quase
Em 2006 chegou às oitavas de final após se classificar em um grupo que tinha os EUA, a Itália e a Rep. Checa. Ganharam de todos os adversários, exceto os futuros campeões daquele mundial. Nas oitavas deram de cara com o Brasil e foram arrasados. Mas ali se formava uma base que faria história em 2010.
Na primeira Copa da África, Gana foi a seleção que carregou a esperança do continente todo ao avançar de fase e chegar nas quartas de final, depois de passar em um grupo com Alemanha, Sérvia e Austrália. Nas oitavas deixaram pra trás os EUA e deixaram sua marca como a segunda seleção africana a avançar até esta fase. E quase foram ainda mais além, ninguém esquece a épica batalha contra o Uruguai, com direito a mão na bola de Suárez, pênalti na prorrogação e a eliminação nos pênaltis. Foi por pouco.
Camarões 1990: quem abriu as porteiras
Os leões são a seleção africana que mais vezes esteve em Copas: 1982, 1990, 1994, 1998, 2002, 2010, 2014 e estarão em 2022.
Mas seu pico de audiência foi com a geração de 1990, liderada por Roger Milla.
Na ocasião, passaram de fase ao vencer um grupo que tinha Argentina, Romênia e União Soviética. Na primeira fase venceram a Argentina por 1 a 0 e a Romênia por 2 a 1, com dois gols de Milla. É bem verdade que levaram um vareio da URSS e perderam por 4 a 0, mas já tinham a classificação garantida.
Nas oitavas enfrentaram uma outra geração talentosa, a Colômbia de Valderrama, Asprilla e tantos outros talentos. Em uma partida duríssima onde os gols só foram sair na prorrogação, Roger Milla marcou duas vezes, uma delas aproveitando uma fanfarronice do goleiro René Higuita.
Era a primeira vez que um time africano chegava às quartas de final e tinham de enfrentar a Inglaterra. Chegaram a estar vencendo até o final do jogo, mas sofreram o empate. Mais um jogo duro que foi parar também na prorrogação e isso pesou no desempenho dos camaroneses, que cansados de uma outra partida longa, acabaram sofrendo a virada.
Senegal 2002: estreia e surpresas
Até hoje vive no imaginário dos senegaleses a campanha de 2002, a primeira vez em que chegaram a uma Copa do Mundo foi épica. Logo na partida de estreia venceram nada mais e nada menos do que a atual campeã, França. A história já estava feita, mas não parou por aí. Na sequência do grupo arrancaram um empate heroico contra a Dinamarca e teriam ainda causado mais impacto contra o Uruguai em uma partida onde abriram 3 a 0 no primeiro tempo, mas acabaram cedendo o empate que eliminou a Celeste.
No mata-mata, mais emoções. Em 2002 ainda existia a regra do gol de ouro e foi disso que se beneficiaram para eliminar a Suécia de virada com gol de Camara, que também já havia marcado no tempo normal o gol que empatou a partida. O sonho foi interrompido também no gol de ouro. Nas quartas, enfrentaram a Turquia em uma partida duríssima que terminou 0 a 0 e só se definiu com um gol de ouro logo aos quatro minutos da prorrogação.
2006: o ano de estreias
A Copa da Alemanha não trouxe nenhuma graaaande surpresa entre as seleções do continente, mas entrou pra história ao trazer nada mais e nada menos do que quatro seleções estreantes no Mundial, que deixaram pra trás nas eliminatórias algumas seleções tradicionais como Nigéria, Camarões e Marrocos.
Entre as estreantes estavam: a Costa do Marfim, de Drogba, Kalou e cia; Gana, do craque Gyan; Togo, de Adebayor e a maior surpresa de todas, a seleção de Angola que se classificou com apenas uma derrota, em um grupo que tinha a Nigéria.
Argélia 2014: vendeu muito caro sua eliminação
De uns anos pra cá já nos acostumamos a ver seleções africanas avançando de fase e enfrentando de igual pra igual “seleções maiores”, mesmo assim há de se valorizar a campanha da Argélia em 2014, que diferente de uns e outros, conseguiu segurar a seleção da Alemanha até a prorrogação nas oitavas de final em uma partida emocionante onde ambas as equipes tiveram boas chances e quase os argelinos surpreendem.
Para chegar até aí se classificaram em um grupo que tinha Rússia, Bélgica e Coréia do Sul, esta ultima foi goleada pelos argelinos por 4 a 2.
A campanha de Marrocos na Copa do Mundo de 2022 foi histórica e surpreendente, tornando-se a primeira seleção africana a alcançar as semifinais do torneio. Liderando um grupo difícil que incluía Croácia (vice-campeã de 2018), Bélgica e Canadá, os “Leões do Atlas” demonstraram uma solidez defensiva impressionante e uma capacidade de contra-ataque letal. A equipe eliminou potências como a Espanha nas oitavas de final, em uma dramática disputa de pênaltis, e Portugal nas quartas, com uma vitória por 1 a 0. Apesar de perder para a França na semifinal e para a Croácia na disputa pelo terceiro lugar, a seleção marroquina conquistou o coração dos torcedores globais com sua paixão, união e um futebol aguerrido, estabelecendo um novo patamar para o futebol africano em Mundiais
As famosas “zebras africanas”
Sempre que uma seleção africana ganha de um adversário tecnicamente superior, vem aquele velho clichê de ser uma “zebra Africana” (aliás, você sabe o motivo de chamarmos de zebras os placares surpreendentes do futebol? Vem do jogo do bicho, leia mais aqui).
Além das já mencionadas anteriormente podemos destacar:
Já falamos de como foi histórica a campanha de Camarões em 1990, mas vale destacar essa vitória contra os argentinos que seriam vice-campeões e contavam com grandes talentos no time como Caniggia, Goicoechea e um certo Diego Maradona. Essa derrota QUASE eliminou os argentinos, que se classificaram pelo critério técnico.
A Tunísia foi uma das sensações da Copa de 1978. Não tomou conhecimento da seleção mexicana do lendário Hugo Sanchez e entrou pra história como a primeira vitória de uma seleção africana nas Copas. Ainda empataria com a atual campeã, Alemanha em 0 a 0.
Na estreia das duas seleções na Copa da Espanha, a Argélia comandada pelo craque Madjer fez história e surpreendeu. Só não passou de fase por conta do saldo de gols e uma certa troca de favores entre Alemanha x Áustria no que foi chamado de “jogo da vergonha”.
No que talvez seja o maior jogo da história da África do Sul em sua história (e vale lembrar que o treinador era “Papai Joel” Santana) nas Copas, eles fizeram valer o fator casa pra derrotar a atual vice-campeã que se despedia daquele Mundial de forma melancólica.
Até então as duas seleções se equivaliam, pouca gente dava muita coisa pela Bulgária — que mais tarde seria uma das sensações da Copa e faria bonito chegando até a semi — mas naquela altura ninguém conseguiria imaginar a estreante Nigéria ganhando por uma margem tão grande de gols.
Beleza, a gente já sabe que Senegal não é tão mais zebra assim e sempre que entra em Copas, não vem pra brincar. Ao mesmo tempo, a Polônia também nunca foi uma das grandes seleções da história, mas quem aí apostou no bolão que eles venceriam a seleção de Robert Lewandowski? Pois foi o que aconteceu.
Como brasileiros temos que parabenizar as seleções que conseguiram frear a Alemanha em 2014, afinal de contas… bom, deixa pra lá. Mesmo não sendo uma derrota, o jogo pode ser sim considerado como uma “zebra”. Na estreia da Copa, os alemães sapecaram 4 a 0 pra cima de Portugal de Cristiano Ronaldo e acharam que carimbariam a classificação contra Gana, o que não aconteceu. Gana chegou a virar a partida e por pouco não venceu.
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