A Copa do Mundo de 1998, na França, é lembrada pela jornada da Seleção Brasileira até a final e pela derrota para os anfitriões. No elenco de Zagallo, recheado de estrelas, havia um talento que carregava grandes expectativas: o meia-atacante Giovanni. Vindo de um auge no Barcelona, onde era uma figura querida pela torcida e elogiado por sua técnica e faro de gol, Giovanni chegou ao Mundial como uma promessa de criatividade e desequilíbrio para o ataque brasileiro. No entanto, sua participação se resumiu a apenas 45 minutos em campo, um fato que ele próprio considera uma grande injustiça e que ecoa em suas entrevistas anos depois.

O Contexto da Seleção de 1998 e as Expectativas

Giovanni desembarcou na França após uma temporada de destaque pelo Barcelona. Ele era conhecido por sua habilidade com a bola nos pés, passes precisos e a capacidade de decidir jogos. No Brasil, havia sido um dos principais nomes do Santos nos anos 90, tornando-se um ídolo. Sua convocação para a Copa de 1998 era natural, e muitos esperavam que ele fosse uma peça-chave no esquema de Zagallo, especialmente para desafogar a dependência em Rivaldo e Ronaldo.

A Seleção Brasileira vivia um momento de transição e pressão. Com Ronaldo como a grande estrela, o time buscava o pentacampeonato e tinha um elenco de peso, mas nem sempre homogêneo em seu desempenho. A competição interna era acirrada, e a comissão técnica, liderada por Zagallo e Carlos Alberto Parreira, tinha opções variadas para o meio-campo e ataque.

Os 45 Minutos na Estreia e a Frustração

A única oportunidade de Giovanni em campo na Copa de 1998 veio na partida de estreia da Seleção Brasileira, contra a Escócia, em 10 de junho, no Stade de France, em Saint-Denis. O Brasil buscava começar o torneio com uma vitória convincente.

Giovanni foi escalado como titular para essa partida. No entanto, sua atuação no primeiro tempo não foi o que a comissão técnica esperava, e o Brasil teve dificuldades para impor seu ritmo de jogo. Com o placar de 1 a 1 no intervalo (gols de César Sampaio para o Brasil e John Collins de pênalti para a Escócia), Giovanni foi substituído por Leonardo para o segundo tempo.

Apesar da vitória brasileira por 2 a 1 (com um gol contra escocês na segunda etapa), aqueles 45 minutos contra a Escócia seriam os únicos de sua Copa do Mundo. Ele não foi mais utilizado por Zagallo nas partidas seguintes, nem na fase de grupos, nem nas fases eliminatórias, nem na final, onde o time precisou de alternativas em campo.

A Ótica de Giovanni: A Sensação de Injustiça

Em diversas entrevistas concedidas anos depois da Copa de 1998, Giovanni expressou sua profunda frustração e a sensação de ter sido injustiçado pela comissão técnica. Ele sempre reiterou que estava em excelente forma física e técnica, vindo de um grande momento no Barcelona, e se sentia apto a contribuir muito mais para a equipe.

“Eu me preparei muito para aquela Copa, estava no auge da minha forma, jogando em alto nível no Barcelona. Joguei 45 minutos contra a Escócia, e só. Não entendi o porquê de não ter tido mais oportunidades. A gente era um grupo muito bom, mas eu me sentia capaz de ajudar muito mais”, declarou Giovanni em uma entrevista ao UOL Esporte em 2018.

Ele também mencionou que havia uma hierarquia muito forte no elenco e que a comissão técnica parecia ter suas escolhas definidas, independentemente do desempenho nos treinos ou dos momentos de forma individual. Essa percepção é comum entre jogadores que, apesar do talento, veem seu tempo em campo limitado em grandes competições.

Fonte: Folha / UOL Esporte

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