
Em 8 de julho de 1990, Argentina e Alemanha se enfrentaram na final da Copa do Mundo disputada na Itália. A partida, já polêmica pelo pênalti marcado por Codesal durante o jogo a favor dos alemães, teve um tempero extra: a vaia ensurdecedora que veio dos quatro cantos do Estádio Olímpico enquanto uma orquestra tocava o hino nacional argentino antes do jogo.
A reação de Maradona foi imediata e, quando a câmera capturou seu rosto, Diego lançou uma chuva de insultos aos torcedores europeus.
Ídolo do Napoli, vaiado em Roma
Até hoje Diego é uma lenda em Nápoles, onde liderou a equipe do Napoli para históricas conquistas do Campeonato Italiano por duas vezes, uma Copa da Itália e uma Liga Europa entre 1984 e 1991. Na ocasião, o camisa 10 ainda atuava no país e, bom, pra falar a verdade, não gozava de muita simpatia dos torcedores de outras regiões do país. Some-se isso ao fato de cinco dias antes a Itália ter sido derrotada pela mesma Argentina na semifinal e tirado a chance da Azzurra conquistar o tetra jogando em casa. O caldeirão estava fervendo para um clima bastante hostil para os argentinos.
Vaias ensurdecedoras
Os times entraram em campo naquela tarde, com a Alemanha, usando sua camisa branca clássica e as três listras pretas, vermelhas e amarelas no peito. Argentina, desta vez, com a camisa reserva azul com detalhes em branco. Com bandeirinha na mão e faixa no braço, Diego comandou os onze que entraram em campo em busca da glória. Como de costume, ambos os times se posicionaram à espera dos hinos nacionais que representam seus respectivos países.
Na ocasião, uma orquestra localizada atrás dos 22 jogadores se preparava para tocar as melodias dos hinos alemães e argentinos. No momento em que as estrofes do hino nacional argentino começaram a soar no Estádio, uma pequena assobiada começou a se reproduzir junto. Esse assobio baixo começou a se elevar, a tomar forma e, em uníssono, os quatro setores do Estádio Olímpico demonstraram sua rejeição à Argentina com um assobio insuportável, ensurdecedor, que superou o volume alcançado pelos instrumentos da orquestra. A câmera de televisão começou a fazer o clássico panorama dos jogadores enquanto, ao fundo, o hino e os assobios se combinavam e se incomodavam mutuamente. Os rostos de Ruggeri, Sensini, Troglio, Burruchaga, Simón, Basualdo e Goyco passaram. Todos concentrados, imutáveis, tentando cantar seu hino que era ofuscado pelos vaias do público.
Depois do goleiro, seguia Diego. O rosto de Maradona representava a raiva que seus companheiros não puderam (ou não quiseram) demonstrar. Incrédulo, observou as arquibancadas do estádio enquanto os assobios, acompanhados de insultos ao camisa 10, se tornavam cada vez maiores. Quando a transmissão o colocou em primeiro plano, Maradona soltou uma série de insultos que ficaram gravados na mente de todos e que responderam aos assobios ao hino e aos insultos de alguns italianos que eram contra Diego.
A faceta mais argentina de Maradona veio à tona naqueles segundos em que o próprio jogador testemunhou o desprezo dos europeus não apenas pela Argentina, mas também por sua própria figura e um dos símbolos patrióticos mais importantes do país. O camisa 10 mastigou raiva, não pôde fazer mais do que demonstrar sua irritação por meio de insultos e entrou em campo para jogar a partida com um único objetivo: ganhar aquela Copa.
A resposta em campo não veio
Os 90 minutos foram equilibrados e não houve muitas diferenças no jogo até o segundo tempo. A expulsão de Monzón, a primeira em uma final de Copa do Mundo, complicou as coisas para a Argentina, que teve que se resguardar um pouco mais e não apostar tanto no ataque. No entanto, a Alemanha não conseguiu quebrar a resistência Albiceleste até o minuto 83, momento em que o árbitro da partida, Codesal, marcou um pênalti polêmico para os europeus, que se transformou no 1 a 0. Em seguida, a expulsão de Dezotti no time argentino marcou o fim das ilusões do time de Bilardo, que viu como aquela falha arbitral lhes tirou das mãos a chance de serem tri. A Copa do Mundo da Itália de 1990 terminou com um sabor agridoce para o povo argentino. Por um lado, a Argentina conseguiu superar baixas sensíveis e fez uma campanha brilhante, com uma eliminação do Brasil incluída, mas a falha de Codesal evitou a conquista da Seleção em um torneio que deixou a imagem histórica de Diego Armando Maradona insultando aqueles que estavam vaiando o hino nacional argentino.
Fonte: ESPN



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