Uma das histórias mais doidas sobre a Copa do Mundo de 2002 foi com o atacante sul-coreano Ahn Jung-Hwan. O jogador, então emprestado pelo Busan I’Cons ao time italiano Perugia, viu sua carreira na Itália chegar a um fim abrupto após um gol que se tornaria lendário – e controverso.

Nas oitavas de final, Coreia do Sul e Itália se enfrentaram em um jogo tenso e repleto de polêmicas de arbitragem. Ahn Jung-Hwan teve um primeiro tempo para esquecer, ao perder um pênalti defendido pelo goleiro Gianluigi Buffon. A Itália abriu o placar com Christian Vieri, mas a Coreia do Sul buscou o empate no final do segundo tempo com Seol Ki-Hyeon, levando a partida para a prorrogação.

Foi na prorrogação, sob a regra do “gol de ouro” (que encerrava o jogo assim que um gol fosse marcado), que Ahn Jung-Hwan escreveu seu nome na história. Aos 117 minutos, o atacante sul-coreano subiu mais alto que a zaga italiana, incluindo o experiente Paolo Maldini, e cabeceou para o fundo das redes, garantindo a vitória por 2 a 1 e a classificação inédita da Coreia do Sul para as quartas de final, eliminando a poderosa Itália.

A celebração em massa na Coreia do Sul contrastou fortemente com a fúria na Itália.

Luciano Gaucci, o então presidente do Perugia, não hesitou em expressar sua indignação. Em declarações veementes à imprensa, ele anunciou a demissão de Ahn Jung-Hwan, afirmando que “não vou pagar o salário de um cara que arruinou o futebol italiano”. Gaucci foi além em suas críticas xenofóbicas, declarando: “Ele nunca mais colocará os pés em Perugia! Ele era um fenômeno apenas quando jogava contra a Itália. Quando jogava pelo Perugia, não era mais do que um cordeiro molhado”.

A decisão de Gaucci gerou um alvoroço internacional. Muitos criticaram a postura do presidente italiano, vendo-a como uma reação exagerada e discriminatória. Ahn, por sua vez, expressou sua confusão e tristeza: “Não entendo por que eles estão com raiva de mim. Eu só fiz o meu trabalho”. Anos depois, ele declararia em um documentário da FIFA: “Não há lei que diga que não posso marcar contra a Itália. Quando olho para trás, trocaria toda a minha carreira por aquele gol (contra a Itália). Não me arrependo de nada.”

A FIFA interveio no caso, mas a relação entre Ahn e o Perugia já estava irremediavelmente rompida. Apesar de Gaucci ter posteriormente recuado em sua decisão, oferecendo a Ahn a chance de retornar ou ser comprado em definitivo, o jogador recusou, optando por nunca mais jogar na Itália. O incidente o levou a passar os três anos seguintes de sua carreira no futebol japonês, atuando por Shimizu S-Pulse e Yokohama F. Marinos, antes de se aventurar por clubes na França e Alemanha, e depois retornar à Coreia do Sul e China.

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Fonte: goal.com / calciopedia / cbc.ca / FIFA+


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