A trajetória de Ronaldo Luís Nazário de Lima, o “Fenômeno”, rumo à Copa do Mundo de 2002 é uma das histórias mais emocionantes e emblemáticas do futebol mundial, marcada por uma grave lesão e uma recuperação que desafiou as expectativas, quatro anos após uma convulsão e uma derrota amarga na final de 1998. No auge de sua carreira, defendendo a Inter de Milão, Ronaldo sofreu uma das piores contusões que um jogador de futebol pode enfrentar: o rompimento do tendão patelar do joelho direito.

O fatídico lance ocorreu em 12 de abril de 2000, durante a final da Copa da Itália contra a Lazio. Ao tentar um drible, o joelho de Ronaldo cedeu, causando um estalo audível e imagens chocantes que percorreram o mundo. A gravidade da lesão levantou dúvidas sobre o futuro de sua carreira, com alguns especialistas chegando a cogitar que ele não voltaria a jogar, ou sequer a andar normalmente. Para o próprio Ronaldo, como ele declarou anos depois, o medo de não retornar aos gramados era real.
Ronaldo passou por uma cirurgia delicada e iniciou um longo e árduo processo de recuperação, que durou cerca de um ano e três meses. Foram meses de intensa fisioterapia, com sessões diárias exaustivas, como relatado por seu fisioterapeuta Nilton Petrone, conhecido como “Filé”. O tratamento visava não apenas a cicatrização do tendão, mas também a recuperação da mobilidade, da força e, crucialmente, da confiança do jogador, abalada não só pela nova lesão, mas também pela misteriosa convulsão que o afetou horas antes da final da Copa de 1998, um trauma que ainda pairava em sua mente.

O retorno aos gramados foi lento e gradual, marcado por precauções. Ronaldo participou de alguns amistosos, mas foi poupado de jogos oficiais por um longo período. Enquanto isso, a seleção brasileira enfrentava dificuldades nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, e a presença de Ronaldo no torneio era incerta, gerando apreensão na torcida e na mídia.
Apesar do histórico de lesões e da incerteza sobre sua condição física ideal, o desejo de Ronaldo de voltar a jogar e disputar a Copa do Mundo era imenso. Ele se dedicou incansavelmente à recuperação, viajando para os Estados Unidos em busca de diferentes opiniões médicas e tratamentos. Sua motivação ia além da busca por troféus e gols; era o amor pelo futebol e a ânsia de sentir novamente a emoção de estar em campo, buscando uma redenção pessoal após os eventos de 1998.

Luiz Felipe Scolari, então técnico da seleção brasileira, apostou suas fichas na recuperação de Ronaldo e o convocou para a Copa do Mundo de 2002, mesmo com o jogador sem o ritmo ideal de jogo. A decisão de Felipão foi controversa, mas o treinador confiava no talento e na determinação do “Fenômeno”, vendo nele a peça final para um ataque que já contava com Rivaldo e Ronaldinho.

Na Copa, Ronaldo superou todas as expectativas. Logo na estreia, marcou um gol crucial contra a Turquia, um sinal de que a confiança estava retornando. Apesar de não ter a mesma explosão e velocidade de antes da lesão, ele reinventou seu estilo de jogo, apostando no posicionamento, na finalização precisa e na inteligência tática. Ronaldo marcou oito gols em sete jogos, incluindo os dois da vitória por 2 a 0 na final contra a Alemanha, diante de um Oliver Kahn considerado imbatível até então, sagrando-se artilheiro do torneio e peça fundamental na conquista do pentacampeonato mundial pelo Brasil.
A recuperação de Ronaldo para a Copa do Mundo de 2002 é vista como um dos maiores exemplos de superação na história do esporte. Como ele mesmo disse após a final, “Nem no melhor dos meus sonhos aconteceu assim”. Ele não apenas voltou a jogar em alto nível após uma lesão gravíssima, como também foi o protagonista da conquista do título mundial, mostrando ao mundo a força de sua determinação e seu talento inigualável. Sua história serve de inspiração para atletas e pessoas em todo o mundo, provando que, com dedicação e perseverança, é possível vencer obstáculos aparentemente intransponíveis, transformando lágrimas de dor em lágrimas de alegria e redenção.

Fonte: Veja / Correio Braziliense / Lance / YouTube / FIFA.com



Deixe um comentário