A trajetória de Cayetano Ré no Mundial do México 86 é marcada por uma dualidade histórica. O treinador paraguaio conduziu a seleção albirroja à sua primeira classificação para a segunda fase de um Mundial em sua história. Contudo, individualmente, entrou para os anais como o primeiro técnico a ser expulso de uma partida na principal competição de seleções.

Nascido em Assunção em 1938, Ré iniciou sua carreira no Cerro Porteño, sendo descrito pela imprensa local como um atacante “baixinho, pernicurto e com cara de monaguillo travieso”. Sua habilidade o levou à seleção paraguaia aos 19 anos, disputando o Mundial de 1958.

Após o Mundial, despertou o interesse do Elche, iniciando sua aventura no futebol espanhol. No Elche, formou um trio de ataque memorável com os compatriotas Lezcano e Romero, chamando a atenção do Barcelona. No clube catalão, viveu seus melhores anos, conquistando o Troféu Pichichi na temporada 1964/65 e títulos como a Copa do Rei e a Copa de Ferias. Apesar da baixa estatura (1,63m), destacava-se pela astúcia, habilidade e garra, conquistando a torcida culé.

Após passagens por outros clubes catalães, iniciou uma carreira como treinador, sendo descrito como “temperamental” pelo jornal El País. Comandou diversas equipes, incluindo o Guaraní, onde foi campeão em 1984, e o Cerro Porteño, antes de assumir a seleção paraguaia.

Ré classificou o Paraguai para o Mundial de 1986 após 28 anos de ausência. Liderou uma equipe aguerrida, com nomes como Roberto Fernández, Rogelio Delgado, Julio César Romero “Romerito” e Roberto Cabañas.

No derradeiro jogo da fase de grupos contra a Bélgica, em 11 de junho, Ré fez história de forma controversa. Após o segundo gol de Cabañas, o árbitro búlgaro Bogdan Dotchev o expulsou por reclamações acintosas. A cena de Ré gesticulando e proferindo insultos à beira do campo ficou marcada como a primeira expulsão de um técnico em Copas do Mundo.

Apesar do incidente, o empate classificou o Paraguai para as oitavas de final, um feito inédito. A jornada paraguaia parou diante da Inglaterra. Após o Mundial, Ré continuou sua carreira como treinador em diversos clubes. Diagnosticado com Alzheimer, faleceu em 2015. Sua história permanece viva na memória do futebol paraguaio e catalão, lembrado como um atacante incisivo e um treinador apaixonado, cuja intensidade transbordava em campo.

Publicado originalmente em: Clarín, 11/06/2021


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