Em 1998, uma convocação para a seleção brasileira surpreendeu boa parte da imprensa e torcedores. Tratava-se do lateral direito Zé Carlos, que fazia uma ótima temporada no São Paulo, mas sem jamais ter jogado uma partida sequer pela Seleção até então.

Até o ano anterior, Zé Carlos era lateral da Matonense e foi parar no Morumbi após um bom Paulistão em 1997. Embora estivesse em ótima fase e dando conta do recado, muita gente não entendeu o porquê Zagallo convocou o atleta, que assumiria a camisa 13, sendo reserva imediato de Cafu na França, após corte de Flávio Conceição. Zé era tido como muito gente boa e famoso por saber imitar muito bem galos e galinhas.

 “Comecei com isso no São Paulo brincando em concentração e fazendo palhaçada. Gostava de imitar galo, cachorro, coisas assim. Me lembro que antes da Copa do Mundo a imprensa me levou em uma feira para fazer algo como se eu tivesse que vender um peixe para o Zagallo. A ideia era vender “seu peixe” fazer de tudo chamar a atenção pra ver se o Zagallo te convoca aí”, contou em entrevista ao UOL, em 2013.

E se você acha que ele foi só pra animar o ambiente, saiba que ele acabou tendo um papel importante na Copa: ele simplesmente teve de substituir Cafu (suspenso) na semifinal contra a Holanda. Na ocasião, ajudou a segurar o empate em 1 a 1 para a Seleção avançar nos pênaltis por 4 a 2, embora tenha sofrido um pouco com os avanços de Zenden e Cocu pelo lado esquerdo holandês (que aproveitava a inexperiência do lateral) e naturalmente afobado por disputar seu primeiro e único jogo em um mundial numa partida tão importante, Zé se saiu melhor do que o esperado e se não conseguiu ajudar, não atrapalhou também.

Em uma entrevista, Zé contou como “Eu sabia da minha condição, mas não estava no meu normal fisicamente. Acabei o Campeonato Paulista voando, dia 10 de maio fomos campeões paulistas, dia 13 perdemos para o Vasco em São Januário. Aí joguei 15 minutos no amistoso com o Bilbao só, para participar. Não era uma fria, estava sujeito a isso, a gente se prepara para isso. Mas, por melhor que tivesse, estava 53 ou 52 dias sem jogar um jogo. É muito tempo para um atleta, ainda mais para jogar uma semifinal de Copa, que é outro ritmo, outra pegada. Não foi peso de camisa, até porque sempre tive personalidade”, disse.

“Era aquela preocupação que, se eu atacasse, não ia conseguir marcar. E tinha o Zenden, então era aquilo de não ir muito. Seleção não pode treinar mais. Pedi para o (Paulo) Paixão uma vez, falei que queria treinar, não queria sair com o grupo. E ele falou que eu não podia. ‘Se você se machuca, vai você e eu mandados embora’. No clube é diferente, consegue fazer amistoso, treinar à tarde. Na seleção, quem não joga está sempre abaixo”, completou.

Fonte: Lance! / TV Globo / Imortais do Futebol / ESPN


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