
Novembro de 1993. O Parc des Princes, em Paris, pulsava com a expectativa de uma vaga francesa na Copa do Mundo. Mas o destino, caprichoso como sempre no futebol, reservava um final dramático e doloroso para os anfitriões, numa partida que ficou conhecida como uma “catástrofe” para os franceses.
A França em 1993
No início dos anos 1990, a França ainda tinha fresca na memória uma época mágica no futebol, onde o país viu brilhar Michel Platini, que levou os Bleus ao seu primeiro título de Euro (1984), a conquista da medalha de Ouro nos Jogos Olimpícos (1984) além de terem conseguido chegar no 4° lugar na Copa de 1982 e um honroso 3° em 1986.
O momento era de muita euforia, pois em 1992 foi anunciado que a Copa do Mundo de 1998 seria na França, o que já assegurava uma cadeira cativa no mundial e a possibilidade de jogar em casa, diante de sua apaixonada torcida. No entanto, ainda era o momento de pensar na Copa de 1994.
A equipe base da França que disputou as eliminatórias vinha de um momento de renovação após a ausência na Copa de 1990 após fracasso nas eliminatórias e uma campanha desastrosa na Euro de 1992 onde a equipe ficou na primeira fase. Apesar disso, a França contava com nomes de peso e talentos promissores do futebol mundial, muitos deles seriam campeões em 1998.
Entre os craques que disputavam as eliminatórias e seriam figuras certas na Copa do Mundo estavam: Laurent Blanc, Marcel Desailly, Emmanuel Petit, Didier Deschamps, Jean-Pierre Papin, Eric Cantona, Bixente Lizarazu e Youri Djorkaeff.
Os gols no apagar das luzes
Naquela época, as Eliminatórias da UEFA eram com seleções distribuídas em grupos e as duas melhores seleções garantiam vaga direta para o mundial. No grupo da França estavam: Áustria, Finlândia, Israel e duas seleções que fariam uma campanha inesquecível na Copa dos EUA: Suécia e Bulgária.
A equipe francesa começou sua campanha com uma derrota fora de casa diante da Bulgária, mas depois se recuperou com uma sequência de cinco vitórias seguidas, um empate contra a Suécia fora de casa e finalmente mais uma vitória contra a Finlândia. A vaga parecia estar garantida.
A confiança era alta, mas um resultado bastante incomum fez estremecer a confiança dos Bleus. Uma derrota em casa por 3 a 2 contra Israel adiava a classificação. Um fato curioso sobre essa partida, é que a França estava conquistando a vitória até os 38 minutos do segundo tempo, quando sofreu o empate e aos 44, quando sofreu a virada.
Apesar do susto, nada estava perdido, a decisão ficava para a partida contra a Bulgária, em casa.
A catástrofe
Naquele momento franceses e bulgáros lutavam pela última vaga no mundial cabeça a cabeça. Com melhor campanha até o momento, a França dependida de um simples empate para carimbar o passaporte.
Um jogo que parecia morno, foi ganhando contornos de tranquilidade quando Cantona abriu o placar para a França, mas Kostadinov empatou cinco minutos depois. O placar ainda era favorável para a França.
Até que no último minuto, o meio-campista Ginola (que havia entrado há pouco tempo substituindo o lendário Papin) tinha a posse da bola na zona do escanteio ofensivo e ao tentar fazer um cruzamento, cometeu um erro terrível e acabou entregando a bola para a defesa da Bulgária, nos pés de Penev, que lançou Kostadinov que arrancou para marcar o gol da vitória búlgara, eliminando a França e criando uma verdadeira catarse para a seleção da Bulgária, que embarcaria para a Copa do Mundo.
A derrota gerou fúria nacional e clima de terra arrada. Depois do jogo, o craque Stoichkov ironizou o medo francês dizendo que eles estavam tão apavorados com a possibilidade da eliminação que jogaram de forma extramemente defensiva e que a Bulgária sabia se aproveitar disso, enquanto Deschamps falou em “vergonha coletiva”. O técnico francês Houllier apontou Ginola como o “assassino” das esperanças francesas.
A imprensa francesa expressou indignação, comparando a eliminação a escândalos do futebol local e buscando palavras duras para descrever a derrota, com o L’Equipe criticando a ingenuidade da equipe. Apesar do clamor, o presidente da liga defendeu a permanência de Houllier, classificando o ocorrido como uma “terrível história de terror”.
Fonte: ogol / The Guardian




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