A Copa do Mundo de 1938, na França, é lembrada por um dos confrontos mais violentos da história do torneio, que ficou conhecido como a “Batalha de Bordeaux”. O jogo, válido pelas quartas de final, colocou frente a frente o Brasil e a Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia) em 12 de junho de 1938. Mais do que uma disputa por vaga nas semifinais, a partida se transformou em um verdadeiro campo de batalha, repleto de entradas duras e lesões.

O que se esperava era um duelo tático e técnico, mas o que se viu foi um embate físico extremo. O árbitro húngaro Pál von Hertzka teve dificuldades para controlar os ânimos. A intensidade do jogo resultou em um festival de faltas e cartões, com três jogadores sendo expulsos, um número altíssimo para a época.

O Jogo e a Violência em Campo

A partida começou com um ritmo acelerado e, rapidamente, as entradas mais fortes começaram a aparecer. Aos 14 minutos do primeiro tempo, Leônidas da Silva abriu o placar para o Brasil, e Oldřich Nejedlý empatou de pênalti para a Tchecoslováquia aos 40 minutos. O placar de 1 a 1 persistiu até o final do tempo regulamentar, levando o jogo para a prorrogação.

A violência atingiu seu ápice no segundo tempo. O zagueiro brasileiro Zezé Procópio e o tcheco Jan Říha foram expulsos. Pouco depois, o brasileiro Arthur Machado também recebeu o cartão vermelho. Com os ânimos exaltados e a falta de controle da arbitragem, o jogo seguiu brutal.

As consequências físicas para os jogadores foram severas:

  • O atacante tcheco Oldřich Nejedlý, que marcou o gol de sua equipe, sofreu uma fratura no pé e não pôde continuar no torneio.
  • O lendário goleiro tcheco František Plánička, mesmo com o dedo indicador quebrado (há relatos que dizem ser o braço), recusou-se a sair de campo, mostrando sua bravura até o fim. Ele só foi substituído na partida seguinte (o regulamento permitia um goleiro de linha ir para o gol).
  • Do lado brasileiro, Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, sofreu uma lesão grave na coxa que o impediu de participar do jogo-desempate (replay), algo que era comum na época quando o placar permanecia empatado após a prorrogação.

Após a partida, ambos os times estavam fisicamente devastados. A Tchecoslováquia tinha apenas sete jogadores em condições de jogo, e o Brasil, com Leônidas e outros jogadores lesionados, teve que se virar para o jogo-desempate.

O Replay e as Consequências

Dois dias depois, em 14 de junho, foi disputado o replay no mesmo local. Com tantos desfalques, as duas equipes tiveram que montar times improvisados. A Tchecoslováquia entrou com apenas sete jogadores do time original e seu goleiro titular lesionado. O Brasil também teve que fazer várias mudanças. Com gols de Roberto e Leônidas, o Brasil venceu por 2 a 1 e avançou para as semifinais, onde enfrentaria a Itália.

A “Batalha de Bordeaux” é um exemplo extremo da intensidade do futebol na primeira metade do século XX e das condições precárias em que os jogos eram disputados, sem as regras de segurança e o controle de hoje. A partida marcou para sempre a história das Copas do Mundo como um dos confrontos mais épicos e fisicamente desgastantes.

Fonte: Wikipedia / Trivela


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