A Copa do Mundo de 1954, na Suíça, foi palco de um dos jogos mais controversos e violentos da história do futebol: Brasil x Hungria, pelas quartas de final. O confronto, que ficou conhecido como a “Batalha de Berna”, entrou para os anais do esporte não pelos gols ou lances geniais, mas sim pela pancadaria generalizada que tomou conta do gramado e dos vestiários.

Um caldeirão de emoções

O clima tenso já pairava no ar antes mesmo do apito inicial. De um lado, o Brasil, ainda com a ferida aberta do Maracanazo de 1950, buscava redenção. Do outro, a Hungria, sensação do mundial e campeã olímpica, vinha atropelando seus adversários.

No vestiário brasileiro, a pressão era ensurdecedora. Dirigentes inflamavam os jogadores com discursos patrióticos, obrigando-os a beijar a bandeira da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e conclamando-os a vingar os “mortos de Pistóia”. O resultado? Um time com os nervos à flor da pele, pronto para explodir.

O estopim da confusão

Dentro de campo, o jogo foi duro e truncado. A Hungria venceu por 4 a 2, mas o placar foi apenas um detalhe diante do que estava por vir. A confusão começou com a expulsão de Nilton Santos e Boszik, que trocaram socos em campo.

Após o apito final, o caldo entornou de vez. Puskás, astro húngaro que não jogou a partida, entrou em campo para provocar os brasileiros, acendendo o rastilho da pólvora. O radialista Paulo Planet Buarque deu uma rasteira em um policial, e o técnico Zezé Moreira atacou um adversário com uma chuteira. Didi, craque da capoeira, distribuía pontapés, enquanto Lira Filho corria desnorteado com a bandeira da FEB.

A versão dos jogadores

Anos depois, jogadores como Pinheiro deram suas versões sobre o que aconteceu. Segundo ele, a briga começou após um mal-entendido: o médico brasileiro Newton Paes jogou uma garrafa de água em Puskás, mas acertou Pinheiro na testa. Alguém gritou que Puskás havia sido o responsável, e a confusão se generalizou.

Pinheiro também minimizou o rótulo de “Batalha de Berna”, afirmando que “foi uma briguinha sem-vergonha” e que ninguém se machucou gravemente.

Um legado de polêmica

A “Batalha de Berna” entrou para a história como um dos episódios mais vergonhosos do futebol brasileiro. A partida expôs a fragilidade emocional da seleção e a falta de controle dos dirigentes, que transformaram um jogo de futebol em um ringue de pancadaria.

Até hoje, o episódio gera debates e diferentes versões, mas uma coisa é certa: a “Batalha de Berna” manchou a história do futebol brasileiro e mostrou o lado obscuro do esporte, onde a paixão pode se transformar em violência.

Ouça a transmissão desse jogo histórico em áudio da Rádio Jovem Pan feito em 1954:

Fonte: Última Divisão / Jovem Pan


Uma resposta para “Batalha de Berna: O Jogo Violento que Marcou a Copa de 1954”.

  1. Avatar de As Maiores Derrotas do Brasil em Copas do Mundo – Enciclopédia das Copas

    […] para enfrentar a poderosíssima Hungria de Puskas e Kocsis. E no jogo que ficou conhecido como a Batalha de Berna, as duas seleções consideradas favoritas para aquele título (que ficaria com a Alemanha […]

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