A história do futebol é feita de glórias e dramas, mas poucos eventos se comparam à tragédia de Superga, que em 1949 dizimou a lendária equipe do Torino, a “Grande Torino”. Mais do que um clube de futebol, aquele time representava a própria base da Seleção Italiana e sua perda teve um impacto devastador na preparação da Azzurra para a Copa do Mundo de 1950, no Brasil.

A Insuperável “Grande Torino”

Na década de 1940, o Torino Football Club era uma força dominante no futebol italiano. Conhecido como a “Grande Torino”, o time conquistou cinco títulos consecutivos da Série A italiana entre 1943 e 1949 (interrompido apenas pela Segunda Guerra Mundial). Sua hegemonia era tamanha que a equipe formava a espinha dorsal da Seleção Italiana, com grande parte dos jogadores titulares da Azzurra vindo do clube. Em um amistoso contra a Hungria em 1947, por exemplo, dez dos onze jogadores italianos eram do Torino. Liderados por craques como Valentino Mazzola, eram considerados um dos melhores times do mundo e os grandes favoritos para vencer a Copa do Mundo de 1950.

O Desastre Aéreo de Superga

Em 4 de maio de 1949, a “Grande Torino” retornava de Lisboa após um amistoso contra o Benfica. A bordo do avião Fiat G.212, estavam 31 pessoas, incluindo 18 jogadores, membros da comissão técnica, dirigentes, jornalistas e a tripulação. Por volta das 17h, sob condições climáticas adversas (neblina densa e visibilidade quase nula), a aeronave colidiu com a Basílica de Superga, localizada em uma colina nos arredores de Turim.

Não houve sobreviventes. A tragédia chocou a Itália e o mundo, transformando um dos maiores times da história em uma lenda envolta em luto. Mais de meio milhão de pessoas compareceram ao funeral em Turim, num testemunho da profunda comoção e do amor que a nação sentia por aqueles atletas.

O Impacto na Seleção Italiana para a Copa de 1950

A apenas um ano da Copa do Mundo de 1950 no Brasil, a catástrofe de Superga representou um golpe quase mortal para a Seleção Italiana. De repente, a Azzurra perdeu não apenas seus principais jogadores, mas também a coesão, a experiência e o talento que haviam sido forjados na invencível equipe do Torino. A reconstrução da seleção foi uma tarefa hercúlea e emocionalmente desgastante. Muitos dos novos convocados eram jovens e inexperientes, e a equipe sofria psicologicamente com a ausência de seus companheiros.

A tragédia também influenciou a logística da viagem para o Brasil. Traumatizados com o acidente aéreo, a delegação italiana optou por viajar de navio, em uma longa e desgastante jornada que afetou a preparação física e o desempenho da equipe. Na Copa de 1950, a Itália, bicampeã mundial (1934 e 1938), não conseguiu passar da fase de grupos, sendo eliminada após perder para a Suécia e vencer o Paraguai. Sua performance aquém das expectativas foi um claro reflexo do vazio deixado pela “Grande Torino”.

Na Copa, a Seleção Italiana não foi além da primeira fase. Fez apenas dois jogos, com uma derrota contra a Suécia (3 a 2) e uma vitória contra o Paraguai (2 a 0) e acabaram eliminados.

Fonte: FIFA Museum / The Guardian / BBC Sport


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