Por anos a ausência do craque holandês na Copa de 1978 foi um dos grandes mistérios. Por que Johan Cruyff, amplamente considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, decidiu não atuar pela Holanda na Copa do Mundo de 1978, na Argentina? A seleção holandesa chegou à final, mas perdeu por 3 a 1 para os anfitriões, e muitos atribuíram a ausência de Cruyff ao fracasso em conquistar o tão cobiçado troféu.

Na época, a especulação sobre os motivos de sua decisão era intensa. Diziam que ele havia brigado com a federação holandesa por questões de patrocínio, ou que talvez se opusesse à junta militar de direita na Argentina. No entanto, 30 anos depois, Cruyff finalmente quebrou o silêncio para revelar a verdadeira razão de sua ausência no maior palco do futebol.
O ex-jogador de Ajax e Barcelona revelou que ele e sua família foram vítimas de uma tentativa de sequestro alguns meses antes do torneio. Em uma entrevista à Catalunya Radio, Cruyff detalhou: “Você deve saber que tive problemas no final da minha carreira como jogador aqui e não sei se você sabe que alguém [colocou] um rifle na minha cabeça e me amarrou, e amarrou minha esposa na frente das crianças em nosso apartamento em Barcelona.”
A experiência mudou sua atitude em relação à vida e foi parte da razão pela qual ele decidiu não jogar na Copa do Mundo. “As crianças iam para a escola acompanhadas pela polícia. A polícia dormiu em nossa casa por três ou quatro meses. Eu ia aos jogos com um guarda-costas”, disse ele. “Todas essas coisas mudam seu ponto de vista em relação a muitas coisas. Há momentos na vida em que existem outros valores. Queríamos parar com isso e ser um pouco mais sensatos. Era o momento de deixar o futebol e eu não poderia jogar na Copa do Mundo depois disso.”

A tentativa de sequestro ocorreu no final de 1977, quando ele morava com sua esposa, Danny Coster, e seus três filhos em Barcelona. A esposa de Cruyff chegou a ser culpada por alguns fãs por sua ausência na Copa de 1978, mas na entrevista, ele fez questão de desmentir esses rumores. Apesar da crença persistente na Holanda de que, com Cruyff em campo, o país poderia ter conquistado a Copa, sua decisão foi um reflexo direto do trauma pessoal vivido por ele e sua família. Seu porta-voz, Joan Patsi, confirmou a versão de Cruyff, adicionando que ele também não se sentia 100% fisicamente, algo que, para Cruyff, era essencial para atuar em uma Copa do Mundo.
Publicado originalmente por The Guardian



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