A Copa do Mundo da FIFA de 1934, sediada na Itália, transcendeu a esfera esportiva para se tornar um palco grandioso para a propaganda do regime fascista de Benito Mussolini. Em um período de ascensão de ideologias totalitárias na Europa, o Duce enxergou no futebol uma ferramenta de alcance massivo para exaltar a “nova Itália” e demonstrar a superioridade de seu sistema. Longe de ser apenas um torneio, a competição foi meticulosamente orquestrada para servir aos propósitos políticos do fascismo.

Desde a escolha do país-sede, a influência de Mussolini foi decisiva. A Itália, que havia perdido a chance de sediar a primeira Copa em 1930, em parte devido à crise econômica, viu no evento de 1934 a oportunidade perfeita para projetar uma imagem de força, organização e progresso sob o comando fascista. A imprensa era rigidamente controlada, e cada vitória da Azzurra era celebrada como um triunfo da nação e do regime, reforçando a ideia de que o fascismo era a chave para o sucesso e a grandeza italiana.

As polêmicas envolvendo a arbitragem se tornaram um capítulo à parte e levantaram sérias dúvidas sobre a imparcialidade dos árbitros durante o torneio. Em jogos cruciais, como as quartas de final contra a Espanha e a semifinal contra a Áustria, e até mesmo na final contra a Tchecoslováquia, as decisões dos árbitros foram frequentemente questionadas e há indícios de que beneficiaram claramente a seleção italiana. Há relatos de que árbitros favoráveis ao regime foram selecionados e até mesmo outros que foram pressionados e agraciados com a presença de Mussolini antes das partidas para uma conversa particular. Embora seja difícil provar diretamente a intervenção de Mussolini em campo, a atmosfera de intimidação e a necessidade de vitória a qualquer custo eram palpáveis.

E esse clima ia além das arbitragens controversas, a pressão sobre os atletas italianos era imensa e, por vezes, beirava a ameaça. Há relatos de que os jogadores foram lembrados constantemente da importância da vitória para o regime. A famosa frase atribuída ao ditador era relembrada com frequência aos jogadores italianos: “Vencer ou morrer!”, ilustra a intensidade da pressão imposta. Embora a veracidade exata dessa citação seja debatida, a mentalidade por trás dela era inegável: o fracasso não era uma opção, e a derrota poderia ter sérias consequências para os atletas e suas famílias.

Para amplificar a percepção de sua onipresença e controle, Mussolini utilizava até mesmo truques de propaganda. Ele empregava sósias para aparecer em diferentes estádios simultaneamente, criando a ilusão de que estava acompanhando pessoalmente cada partida. Essa tática visava reforçar a imagem de um líder infalível, atento a todos os detalhes e garantindo o sucesso nacional. A Copa de 1934, em sua essência, foi um espetáculo político, um prelúdio das ambições totalitárias que culminariam na Segunda Guerra Mundial, e um lembrete do poder do esporte como ferramenta de manipulação ideológica.

Apesar das polêmicas, a Itália conquistou seu primeiro título mundial em 1934, um feito que foi amplamente explorado pelo regime fascista para glorificar a nação e a ideologia. Um dos exemplos mais marcantes é a frase proferida pelo treinador Vittorio Pozzo após a conquista: “A partida mais difícil de todas foi contra a Espanha, precisamos passar por 210 minutos de jogo para vencer. Nenhum outro time nos exigiu tanto. (…) Naquelas duas partidas em Florença, que foram necessários homens de têmpera especial para batê-los, homens fortes e confiantes como só o fascismo pode criar”.

Fonte: Ludopedio / Diário do Nordeste / oGol / These Football Times / UOL / cbc.ca / The New European


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