A Copa do Mundo de 1962, sediada no Chile, foi um evento de proporções épicas que desafiou todas as expectativas e se tornou um símbolo de superação. Apenas dois anos antes do torneio, em maio de 1960, o Chile foi devastado pelo maior terremoto já registrado na história contemporânea, com magnitude de 9,5 graus na escala Richter, que ceifou a vida de mais de 2.000 pessoas e causou destruição massiva em cidades como Valdivia. Diante de tal catástrofe, a realização do Mundial parecia um sonho distante, mas a nação chilena, com seu espírito indomável, abraçou o desafio sob o lema “Porque nada temos, faremos tudo”.

Apesar do terremoto, a FIFA demonstrou solidariedade e colaborou para que o torneio pudesse acontecer. O governo chileno, por sua vez, redirecionou grande parte do orçamento inicialmente destinado à organização da Copa para a reconstrução do país, evidenciando a prioridade em atender às necessidades de sua população. Mesmo com a nação em recuperação, o compromisso com o Mundial permaneceu firme, transformando a competição em um marco de orgulho nacional e resiliência.

Um dos grandes heróis dessa jornada foi Carlos Dittborn. Eleito presidente da Associação Central de Futebol do Chile em 1955 e também da Confederação Sul-Americana de Futebol (1955-1957), Dittborn foi o grande mentor por trás da candidatura chilena e o autor do famoso lema do Mundial. Sua dedicação foi tamanha que, tragicamente, ele faleceu um mês e meio antes do início do torneio, sem poder testemunhar a concretização do seu sonho.

O “Mundial romântico”, como foi chamado pelo jornalista e escritor chileno Enrique Corvetto, destacou-se pela “genuinidade” e um certo “amadorismo” que já não se vê no futebol profissional moderno. Foi um evento que, apesar das adversidades imensas, foi levado a cabo com um espírito de comunidade e determinação que inspira até hoje, provando que, mesmo diante do quase impossível, a paixão pelo futebol e a força de um povo podem superar qualquer obstáculo.

Publicado originalmente em “El País”


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