A fase de grupos das Copas do Mundo sempre foi um palco de dramas e emoções, mas poucos momentos na história do torneio geraram tanta controvérsia e indignação quanto o ocorrido em 1982.

A chamada “Desgraça de Gijón” foi um episódio que não só manchou a reputação do fair play, mas também impulsionou uma mudança fundamental nas regras da competição, garantindo que a última rodada da fase de grupos fosse sempre jogada simultaneamente.

No Mundial da Espanha de 1982, o Grupo 2 era composto por Alemanha Ocidental, Áustria, Argélia e Chile. Os europeus eram amplamente considerados os favoritos, mas logo no primeiro jogo, a Argélia surpreendeu o mundo ao vencer os poderosos alemães por 2 a 1. A Áustria, por sua vez, superou o Chile por 1 a 0. Na segunda rodada, a Alemanha se recuperou com uma goleada de 4 a 1 sobre o Chile, enquanto a Áustria venceu a Argélia por 2 a 0.

O palco estava montado para a última rodada, que, na época, não tinha jogos simultâneos. Em 24 de junho, a Argélia fez sua parte, vencendo o Chile por 3 a 2. Com quatro pontos (dois por vitória), os africanos tinham chances reais de classificação, desde que a Alemanha Ocidental não vencesse seu próximo jogo. Contudo, a partida seguinte, que definiria o futuro do grupo, entraria para a história pelos piores motivos.

No dia seguinte, a Alemanha Ocidental e a Áustria se enfrentaram no Estádio El Molinón, em Gijón.

A Áustria já estava praticamente classificada para as oitavas de final, e a Alemanha precisava de um triunfo para eliminar a Argélia e avançar. Diante de mais de 40 mil espectadores, o jogo começou de forma promissora para os alemães, com Horst Hrubesch abrindo o placar logo aos dez minutos.

A partir desse gol, o que se seguiu foi um “festival” de passes laterais e para trás, sem qualquer intenção de ataque por parte de ambas as equipes. Os torcedores, percebendo o pacto de não agressão e a manipulação do resultado, reagiram com uma fúria crescente. “¡Fuera, fuera!” e “¡Que se besen, que se besen!” ecoavam das arquibancadas, misturados com gritos de apoio à Argélia. O goleiro alemão Harald Schumacher, mais tarde, declarou cinicamente em um documentário: “Não jogamos para ser populares, fomos pelo resultado. Isso é tudo.” A partida ficou conhecida como “A Estafa do Molinón” ou “A Desgraça de Gijón”.

O legado desse jogo vergonhoso foi uma mudança fundamental nas regras da Copa do Mundo. A partir do Mundial do México em 1986, a FIFA implementou a regra de que a última rodada da fase de grupos deve ser disputada com os dois jogos do mesmo grupo ocorrendo simultaneamente, para evitar qualquer repetição de tal farsa e garantir a integridade da competição.

Publicado originalmente por TyC Sports


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