Escrito pelo jornalista Fábio Mendes e com prefácio de Mauro Beting, o livro mergulha na questão do racismo no futebol brasileiro, especialmente na década de 50, destacando a luta dos jogadores negros do time campeão de 1958 para superar o preconceito. Imagine só, craques cruciais como Garrincha e Djalma Santos só conquistaram a titularidade ao longo do torneio. Uma exceção foi Didi, eleito melhor atleta da Copa, que começou desde o início, desafiando estereótipos. Pelé, se recuperando de uma lesão, assumiu o posto de titular na terceira partida.

O autor baseou-se em relatos de ex-jogadores, jornalistas e dirigentes que viveram o preconceito, incluindo Pepe, protagonista dessa conquista. Luiz Carlos Barreto, Paulo Planet Buarque e Orlando Duarte também participaram, cobrindo o primeiro título mundial.

Nos anos 50, o racismo no futebol brasileiro veio à tona, especialmente após o Maracanaço, onde o goleiro negro Moacir Barbosa falhou em um gol na final contra o Uruguai. Até 1958, os jogadores negros eram rotulados como psicologicamente inferiores aos brancos.

O autor compartilha: “Acreditava-se que jogadores negros não tinham estruturas emocionais para partidas decisivas. Por melhor que fossem tecnicamente, taticamente, fisicamente, a ideia era que tremeriam e colocariam tudo a perder.” Ele destaca como isso era naturalizado na época.

Fábio revela que uma das razões para escrever o livro foi a reserva inicial de craques como Garrincha e Djalma Santos. Ele conta: “Uma história que me intrigava era a de Pelé, Garrincha e Djalma Santos, excepcionais, começando na reserva e depois dando a volta por cima para ajudar o Brasil a ganhar a Copa.”

Além de 1958, o livro aborda histórias da década de 50, detalhando a jornada dos atletas negros até o título mundial, vencendo o preconceito com talento. Fábio narra: “Conto as dificuldades, o racismo velado da época, até o Brasil deixar isso de lado e escalar os melhores jogadores.”

A Copa de 1958 marcou o futebol brasileiro, elevando o prestígio dos jogadores negros. Fábio reflete: “Se o Brasil tivesse perdido aquele Mundial, é difícil imaginar o patamar que o futebol nacional estaria hoje.”

Apesar do triunfo, o racismo persistiu no esporte. Fábio destaca recentes comentários discriminatórios, como o de Edílson, evidenciando que o problema reflete os desafios mais amplos da sociedade. “O racismo está longe de acabar no futebol porque está longe de acabar na sociedade”, conclui o autor.

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