A Copa de 1950, realizada no Brasil, é lembrada por muitos pela tragédia do “Maracanazo”, mas também foi palco de uma das maiores zebras da história do futebol mundial: a vitória da seleção de futebol dos Estados Unidos sobre “os inventores do futebol”, da Inglaterra com o surpreendente placar de 1 a 0.
Conhecido como o “Milagre de Belo Horizonte”, este jogo, disputado em 29 de junho de 1950 no Estádio Independência, na capital mineira, chocou o mundo do esporte.
A Inglaterra chegava ao Mundial com uma reputação imponente e um elenco de craques, como Wilf Mannion, Tom Finney e Stanley Matthews (embora Matthews não tenha jogado a partida). Eles eram francos favoritos ao título e haviam vencido o Chile facilmente na estreia. A expectativa era de uma goleada histórica sobre a equipe dos Estados Unidos, que era composta por atletas amadores e semiprofissionais, muitos deles com empregos “comuns” como lavador de pratos, motorista de carro fúnebre e estudantes. As casas de apostas pagavam 70 por 1 para uma vitória americana, e até a imprensa escrita inglesa chegou a noticiar um resultado de 10 a 1 para a Inglaterra, supondo um erro de digitação no placar de 1 a 0 para os EUA no telegrama enviado do Brasil.
A partida, que teve um público de 10.151 pessoas, começou com a Inglaterra dominando e criando inúmeras chances de gol. No entanto, o goleiro americano Frank Borghi, que era um motorista de carro fúnebre, fez defesas espetaculares, e a zaga dos EUA se mostrou resiliente. Contra todas as expectativas, aos 38 minutos do primeiro tempo, o gol que entraria para a história aconteceu. Após um chute de fora da área de Walter Bahr, o atacante Joe Gaetjens, um lavador de pratos haitiano-americano, mergulhou de cabeça e desviou a bola, surpreendendo o goleiro inglês Bert Williams e colocando os Estados Unidos em vantagem.
O gol de Gaetjens incendiou o jogo. A Inglaterra pressionou intensamente em busca do empate, mas a defesa americana resistiu bravamente. Os torcedores mineiros, que inicialmente zombavam da situação, começaram a torcer fervorosamente pelos azarões, acenando lenços brancos em sinal de “rendição inglesa” e invadindo o gramado após o apito final para celebrar os heróis americanos. A euforia foi tamanha que os jogadores dos EUA foram carregados nos braços pelo público, especialmente Gaetjens.

Depois disso, a Inglaterra nunca mais usou o uniforme azul escuro daquela partida e acabou eliminada na primeira fase, assim como os Estados Unidos. Apesar do desfecho do torneio para ambas as seleções, o “Milagre de Belo Horizonte” permanece como um testemunho da imprevisibilidade do futebol e da capacidade de superação de equipes consideradas “menores”. A história foi tão marcante que inspirou o livro “The Game of Their Lives” e o filme “The Miracle Match”.
Fonte: Wikipedia / FIFA.com / Hoje em Dia / Terceiro Tempo / Daily Mail



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