01. Teve craque fumante

Foto: GettyImages / The Sun

A “Dinamáquina” de Michael Laudrup encantou o mundo na Copa de 1986 e um dos resultados mais marcantes foi a goleada por 6 a 1 contra o Uruguai. Nesse dia um dos grandes nomes do futebol dinamarquês, o “Cavalo Doido”, Preben Elkjaer Larsen, marcou 3 gols e ainda deu uma assistência. Ele foi um dos grandes nomes daquela Copa, e em sua carreira ficou marcado por ser veloz, mesmo sendo um conhecido fumante — que há quem jure que fumava no intervalo dos jogos pelo seu clube na Itália — chegado num bom whiskey e farras.

02. Rolou o clássico dirigente invadindo o campo pra parar um jogo

Foto: Michel Hidalgo / Sports.fr

Se você acha que Eurico Miranda foi o inventor dessa proeza, saiba que na Copa ela já tinha acontecido em 1982. França e Kuwait (cujo técnico era Carlos Alberto Parreira) jogavam pela segunda rodada quando aos 27 minutos, a França que vencia com Michel Platini jogando muito, marcou o terceiro gol com passe dele para Giresse. Enquanto os franceses comemoravam, os adversários foram pra cima do juiz reclamar de um impedimento que teria sido inclusive marcado pelo árbitro que teria apitado.

Começou ali uma confusão e os jogadores kuwaitianos e apontavam para cima para as tribunas do estádio, onde estava Fahad Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, príncipe do Kuwait e então presidente da federação de futebol local, que não teve dúvidas, desceu para o campo e discutiu, com veemência, com o árbitro soviético Miroslav Stupar.

Ele tentava convencer os árbitros — ao lado de fortes guarda-costas — de que alguém apitou na hora do passe e foi por isso que seus jogadores pararam a jogada. Na opinião deles, o gol não deveria ser validado. A confusão durou uns 10 minutos e o gol realmente foi anulado. Minutos depois, a França marcou o quarto gol e dessa vez ninguém reclamou.

03. Liberaram um casamento em campo

Hoje em dia a FIFA é bastante protocolar e faz questão de que tudo seja feito com o máximo rigor, credenciamento, segurança e (para muita gente) uma certa quantidade de frescuras. Mas em 1998 a entidade permitiu que um casamento fosse realizado antes de um jogo.

A partida em questão foi Brasil x Noruega, no estádio Vélodrome, em Marselha.

Na ocasião, a brasileira Rosângela de Souza e o norueguês Oivind Ekeland disseram sim diante dos mais de 56 mil torcedores presentes. Na véspera do casório, Oivind disse à Folha: “Vou unir as duas coisas de que eu mais gosto: o futebol e a minha mulher”.

20 anos depois, em 2018, Oivind deu outra entrevista, dessa vez a um site norueguês contando como foi o casamento e mesmo que ele e a ex-esposa já não estejam mais juntos, mantém uma boa relação e são sempre lembrados por esse dia.

04. Mal desempenho na Copa foi motivo para uma CPI cobrar resultados

Foto: Reprodução/Revista Placar

Em 1998 o Brasil perdia a Copa para a França após convulsão de Ronaldo e toda aquela confusão que quem está acima da casa dos 25 anos lembra bem. Como é bastante difícil pro brasileiro aceitar que perdeu porque outros foram melhores, começou ali uma caça às bruxas, suspeitas e até mesmo um e-mail circulou afirmando que o Brasil vendeu a Copa a pedido da Nike.

Papo vai e papo vem, foi instaurada uma CPI para investigar a CBF, a Nike e cobrar o que pode ter acontecido. A investigação durou até 2001 e foram chamados para falar nomes como Zagallo, Edmundo e o Fenômeno, com a suspeita de que a Nike, patrocinadora do Fenômeno, tivesse pressionado na escalação no Stade de France. Quando Ronaldo foi depor, entre várias perguntas que fizeram a ele, questionaram quem deveria ter marcado o Zidane (?). Folclores à parte, os deputados buscavam entender as suspeitas de corrupção no alto escalão da entidade que comanda o futebol no Brasil. Coincidência ou não, até hoje é bem difícil entender quem está à frente da CBF após tantas idas e vindas e escândalos. Uma nova CPI do futebol já está para ser realizada (há alguns anos, é verdade) sob o comando do agora Senador Romário.

05. Teve maracutaia em jogo de compadre

O jogo Holanda 1 x 1 Irlanda em 1990 deixou muita gente pistola na arquibancada.

O problema é que chegou um determinado momento em que o empate era bom pra ambas as equipes passarem para as oitavas de final.

Com a classificação garantida, os dois times ficaram trocando passes descompromissadamente, precisou até que o árbitro pedisse aos capitães das equipes para que jogassem sério. Não deu certo, boa parte da torcida foi embora xingando e o jogo terminou assim mesmo.

06. Pelé se oferecendo pra sair da aposentadoria e jogar a Copa aos 45 anos de idade

Foto: Reprodução

Depois da desilusão que o Brasil teve em 1982 com aquela super seleção, a pressão era grande para a Copa do México em 1986. E quem conhece o Rei Pelé, sabe bem que ele sempre que falava algo, repercutia bastante e causava certa polêmica.

Na ocasião Pelé recém aposentado era bastante crítico ao que apresentava a seleção de Telê Santana, que além de um futebol questionável também sofria com desfalques como o zagueiro Mozer, o lateral Leandro, e os meias Toninho Cerezo e Renato Gaúcho. Uns por lesão e outros por indisciplina.

E aí que surgiu a melhor ideia do Rei: voltar da aposentadoria pra “ajudar” o Brasil.

A sugestão, claro, foi recusada por Telê Santana. Meio chateado, Pelé disse na época:

“O que o Pelé poderia ganhar mais voltando? Nada, né?! Nós não temos um conjunto, nós não temos uma seleção jogando futebol que a gente achava ideal. Uma semana atrás, quando foi feita a proposta eu teria sei lá, 25 dias para treinar. Acho que daria para ajudar o Brasil.”

Alguns anos depois Pelé admitiu que a ideia nem era tão boa assim :

“Talvez fosse, profissionalmente, uma das maiores besteiras que eu fizesse na minha vida”, disse o Rei em uma entrevista.

07. Mandaram um técnico embora durante o Mundial

Imagem: Reprodução/Ge.globo

Você acha ruim o troca-troca de técnicos no futebol brasileiro? Mas esse tipo de situação já rolou na Copa com um técnico Brasileiro. E pior, o técnico era atual Campeão do Mundo.

Em 1998, Parreira treinava a Arábia Saudita e acabou perdendo os dois primeiros jogos para França e Dinamarca. O primeiro jogo foi até uma derrota “normal”, 1 a 0 para a Dinamarca. O problema aconteceu com a segunda derrota, para a França: 4 a 0.

As duas derrotas deixaram os árabes sem chances de classificação e o príncipe Faisal Bin Fahd, filho do rei e que presidia a federação local, pistolou. Ele demitiu Parreira com a Copa rolando e colocou Mohamed Al-Kharashy na direção do time contra a África do Sul. deu certo e a Arábia empatou por 2 a 2.

Com uma baita cara de pano molhado, Parreira disse em uma entrevista logo após a demissão: “O time não se classificou e se escolheu um bode expiatório. E nada melhor do que [demitir] o treinador antes do final e a repercussão é grande”.

08. Teve jogador da seleção fazendo bico durante a Copa

Foto: DailyMail

Em 1982 tínhamos uma seleção recheada de craques, mas há quem jure que aquela geração também conviveu com tretas por causa de dinheiro.

Na estreia na havia dentro do escudo da CBF um havia um raminho de café, fruto de um acordo pioneiro de patrocínio da CBF com o Instituto Brasileiro de Café (IBC), que foi um verdadeiro drible de R$ 3 milhões na FIFA que não permitia (e assim segue) patrocínios na camisa das seleções da Copa.

Edinho falou certa vez em entrevista à Revista Placar que Éder e Serginho ganhavam 1000 dólares em 1982 para comemorar gol perto de uma placa de publicidade e que isso pode ter atrapalhado no desempenho da equipe naquele Mundial.

09. E quase teve uma Seleção em greve

Foto: Reprodução / CBF

Já em 1990, o problema foi com a Pepsi, que patrocinava a Seleção. A CBF teria vendido por US$ 3 milhões o direito do patrocinador colocar sua marca nas camisetas de treino e na Granja Comary, mas por causa de um mal entendido e diz que me disse, alguns jogadores já acostumados com valores de patrocínios na Europa acharam muito pouco o valor que seria repassado aos atletas e acabaram eternizando uma foto polêmica: todos os jogadores com a mão no coração — estrategicamente onde ficava o símbolo do patrocinador na camisa durante a foto do elenco pré-Copa. O técnico Sebastião Lazaroni jurou que foi um ato patriótico dos jogadores, mas ele mesmo não fez o mesmo…

11. Tinha zagueirão gravando disco e fazendo show

Foto: Getty Images / Huffpost

O zagueirão Alexi Lalas, dos EUA, ficou muito conhecido por seu visual diferentão, mas se você não o conhece ou não lembra, ele era um bom jogador, tendo sido o primeiro jogador norte-americano a ir jogar no Campeonato Italiano, um feito gigantesco nos anos 1990. Também brilhou no pelo Los Angeles Galaxy, onde ganhou inclusive um dos poucos títulos de equipes estadunidenses da Copa dos Campeões da CONCACAF.

E além disso, enquanto jogava bola, ele também mantinha uma banda de rock!

Desde o ensino médio, Lalas fazia parte de uma banda chamada The Gypsies, que abriu diversos concertos nos Estados Unidos, incluindo um show da banda Hootie & The Blowfish, em 1998. Ele chegou a gravar um álbum auto-produzido intitulado “Woodland”, promovido por Lalas durante a Copa do Mundo de 1994.

Além de tocar nos Gypsies, ele também tem cinco álbuns em sua carreira solo, sendo que dois deles gravados na época de jogador (Ginger, em 1998 e Far from Close, em 1996). Lalas voltaria a gravar novos trabalhos alguns anos depois, já aposentado do futebol.

Dá pra ouvir um pouco do trabalho de Lalas no Spotify.

12. E a organização da Copa tocando o hino nacional errado

Imagem: Reprodução / TV Globo

Hoje é dia é mole dar um Google e descobrir como é o hino de absolutamente qualquer coisa do mundo, mas em 1986 era um pouco mais complicado e a gente perdoa os mexicanos que sem ter certeza de qual era o hino nacional brasileiro, mandaram o Hino da Bandeira antes da partida contra a Espanha.

Os jogadores brasileiros liderados pelo Dr. Sócrates pistolaram e abandonaram a execução do hino no meio e foram se aquecer. Acontece, pô.

13. Um uniforme que entrou pra história foi feito às pressas

Imagem: Mantosdofutebol

Você já deve ter ouvido falar de seleções tendo que usar camisas provisórias, comprado camisas na correria ou usando camisas de times por falta de uniformes reservas, né? Isso aconteceu bastante na década de 1930 à 1960, épocas mais românticas e menos profissionais do futebol mundial.

Mas isso também aconteceu em 1986 e não foi com qualquer seleção, foi simplesmente com a Argentina de Maradona em seu ápice. Maradona aliás teve grande importância para essa história:

Naquela Copa a Argentina levou camisas com uma nova tecnologia de respiro para o corpo dos atletas, mas só o primeiro uniforme tinha essa característica. No jogo contra o Uruguai, nas oitavas, a equipe jogou com o segundo uniforme, com uma camiseta azul-marinho feita de algodão. O técnico Carlos Bilardo se preocupou: contra a Inglaterra, nas quartas de final, ao meio-dia na Cidade do México, os jogadores não podiam usar aquela versão pesada. Pediram pra Le Coq Sportif produzir as camisas da mesma forma que a versão 1, mas em tão pouco não seria possível. Sobrou para Rubén Moschella, um colaborador, percorrer as lojas da capital mexicana. Ele voltou com dois modelos azuis, feitos pela mesma marca. Pesaram as duas, mas não se decidiram — até que apareceu Diego Maradona. O camisa 10 apontou uma delas e disse: “Que linda esta camisa. Com ela ganhamos da Inglaterra”.

E aquela camisa azul do golaço de Diego e o gol da “Mano de Díos” que saiu de um modelo provisório para a história.

14. A abençoada mão de Maradona que arbitro nenhum viu em 2 ocasiões diferentes

Reprodução: Cricketsoccer

E por falar ‘La Mano de Dios’, já é bastante famosa a história do gol na partida de quartas-de-final de 1986 disputada entre Argentina e Inglaterra onde Maradona aproveitou o chutão do zagueiro inglês Steve Hodge e que a bola escapou para sua própria área defensiva. Onde Maradona subiucom o goleiro Peter Shilton e com um soquinho empurrou a bola para o gol. Já temendo que o gol seria anulado, Dieguito saiu comemorando e juntando seus companheiros pra dar um migué pra arbitragem. Deu certo, pra desespero inglês.

Mas não parou por aí. Maradona teve OUTRO lance envolvendo sua mão em Copas, este um pouco menos famoso,mas também controverso.

Já em 1990, Argentina e URSS empatavam em 0 a 0 quando num ato de desespero pra salvar um gol, Maradona praticamente espalmou uma bola dentro da área, deu um novo migué que passou batido e ajudou seu país a vencer aquele jogo. Como a Argentina tinha perdido na estreia, para Camarões, uma nova derrota seria fatal. Os argentinos venceram por 2 a 0 — acabaram vice-campeões, levando o troco da Alemanha na final (1 a 0).

15. Teve juiz roubando… a cena!

Imagem: Reprodução

Essa pode acontecer com qualquer árbitro, o problema mesmo foi a ocasião: durante a semifinal entre Itália e Argentina de 1990, o juiz Michel Vautrot bobeou e esqueceu de conferir o relógio, e o primeiro tempo da prorrogação teve nada mais e nada menos do que OITO minutos a mais.

E a final de 1982, no Santiago Bernabéu, entre Itália e Alemanha teve Arnaldo Cezar Coelho no apito, que aproveitou todos os holofotes que uma decisão dessa grandeza traz para puxar um pouquinho de atenção pra ele. No momento de apitar para encerrar a partida Arnaldo “interceptou a bola” de um passe da zaga italiana e ergueu a bola, como quem ergue um troféu, para encerrar o jogo. Segundo o próprio disse no “Bem,Amigos” uns anos atrás: “Ninguém homenageia juiz, eu resolvi me homenagear!”.

16. Cabelos foram um problema na Copa de 1998

Foto: Reprodução/UOL

Fernando Redondo, um dos maiores nomes da Argentina nos anos 1990 ficou de fora da Copa porque se recusou a cortar os cabelos longos. É isso mesmo.

O técnico disciplinador e conservador Daniel Passarella resolveu que ia barrar tudo que ele não gostava, como (pasme) homossexuais no elenco, obrigou exames para detecção de drogas e os jogadores “cabeludos” da Argentina. E lá se foi o cabelo de vários deles, entre eles Eduardo Coudet e Gabriel Batistuta, segundo maior artilheiro da Seleção na história. Ambos tiraram suas cabeleiras e optaram por um corte curto. Além de Redondo, Caniggia também se recusou a adotar um novo corte e na época chegou a alfinetar o treinador: ‘’Passarella ergueu a Copa de 1978 graças aos gols de Kempes, mais cabeludo que Cristo. A história do futebol argentino se escreve com cabelo comprido”. Caniggia e Passarella até chegaram a um acordo, mas o craque acabou não indo à Copa por uma lesão.

Foto: Divulgação

Enquanto isso, a fascinante seleção da Romênia, que já havia feito uma trajetória maravilhosa em 1994, vinha forte mais uma vez para a Copa da França e garantiram a classificação antecipada em um grupo que tinha Colombia e Inglaterra, passando para as oitavas de final. Ao conseguirem o feito, o capitão George Hagi teve uma ideia para “unir” o grupo e todos os jogadores PLATINARAM O CABELO. Apesar da estileira do time, o resultado foi inesperado. Perderam para a Croácia de Davor Suker e foram eliminados. Há quem jure que esse tiro saiu pela culatra e os romenos ficaram no “oba oba” em vez de motivados.

17. Os problemas com a alfândega da seleção de 1994

Foto: Folhapress

Ô taça pesada essa da Copa, hein?
Em 1994, a seleção brasileira quase ficou retida na alfândega ao voltar dos EUA por excesso de peso no avião. Na ida, o Varig que levou a delegação viajou com cerca de três toneladas, na volta eram mais de 15.

A muamba brasileira foi contada em uma reportagem da Folha na época e revela que os tetracampeões aproveitaram a ida aos EUA pra dar uma bela forrada no inventário, o peso total das comprinhas trazidas pela galera era mais ou menos o equivalente à 365 aparelhos de televisão de 29 polegadas ou 131 geladeiras de 467 litros.

Ao chegar no Rio de Janeiro seria o procedimento padrão que os jogadores brasileiros passassem pela inspeção da Receita Federal. Porém, provavelmente já sabendo do volume de “bugigangas” contido no avião, Ricardo Teixeira, presidente da CBF na época, mexeu seus pauzinhos, chegando a ligar inclusive para Brasília para evitar a averiguação. Não precisou.

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